Frutos secos estão a chamar jovens e a criar novos negócios

Os frutos secos estão a chamar jovens para a agricultura e a gerar novos negócios, como uma empresa artesanal de Vila Nova de Famalicão apostada em conquistar mercado com diferentes usos para a castanha.

Sílvia Santos cresceu entre os soutos do pai numa aldeia de Vinhais, no distrito de Bragança, a zona maior produtora de castanha em Portugal, e é lá que vai buscar o fruto para o projeto que lançou há pouco mais de um ano em Vila Nova de Famalicão com o marido.

O casal investiu 25 mil euros numa fábrica artesanal para explorar o valor nutritivo deste fruto e usos inovadores associados ao têxtil, apresentados na semana passada num seminário internacional organizado pelo Centro Nacional de Competências dos Frutos Secos (CNCFS), em Bragança, como um projeto inovador do setor.

«Ainda estamos a tentar lutar contra aquela ideia que existe em Portugal: a castanha é assada, cozida. Nós estamos a tentar apelar um bocadinho à parte nutritiva. É um fruto muito rico, saudável e pode ser a alternativa a muitas coisas», afirmou , Sílvia Santos.

O passo inicial é a produção de farinhas com a aposta «no sem glúten», aproveitando as características naturais da castanha, também indicadas para diabéticos.

A aposta é no mercado externo e a estratégia é «começar por coisas mais pequeninas: minimercados, supermercados regionais com corredores é prateleiras dedicadas a países».

A produção tem chamado também jovens ao setor, com o incentivo das majorações nos financiamentos dos projetos e do mercado que garante o escoamento com a procura superior à oferta.

Há uma década, meia centena de produtores de castanha criaram a Cooperativa Soutos de Cavaleiros, em Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, que hoje é uma Organização de Produtores (OP) reconhecida com mais de 120 associados e a atividade alargada à amêndoa, avelã, pistácio e noz.

«Nós tínhamos muitas zonas abandonadas, muitos soutos abandonados, muitas pessoas que não queriam saber. Neste momento, temos jovens a agarrar nessas terras abandonadas e a produzi-las, o que é ótimo», afirmou, Ema Lopes, técnica da cooperativa.

A cooperativa não tem preocupações com a venda da produção. No caso da castanha, 90% das cerca de 120 toneladas anuais que comercializa, é comprada por italianos e os restantes pelo comércio tradicional de Lisboa Porto e vendedores ambulantes.

Este será o primeiro ano em que a cooperativa irá trabalhar com a amêndoa e tem planos para «começar, a muito curto prazo, a tentar fazer farinha de castanha e castanha pilada (seca)».

A atividade envolve perto de uma dezena de trabalhadores, contando com a laboração sazonal.

Com um número idêntico trabalha permanentemente Nuno Ferreira, da empresa PABI- Produtos Alimentares da Beira Interior, líder no mercado nacional da transformação de amêndoa em farinhas, lâminas, palitos e todos os derivados.

«Portugal acordou», enfatizou Nuno Ferreira, apontando que até há bem pouco tempo, o país nem era considerado nas estatísticas internacionais da amêndoa e «agora já se fala que o Alentejo pode ser uma Califórnia», numa referência à zona dos Estados Unidos da América que é a maior produtora mundial deste fruto seco.

De Espanha chegou hoje ao seminário, em Bragança, o exemplo da “Almendras de la Mancha”, uma empresa de transformação que trabalha com a região de Trás-os-Montes na compra e venda de amêndoa.

Como indicou Beatriz Ostos, representante da empresa, «Espanha absorve uma grande quantidade porque tem uma indústria muito importante, mas a Europa é um grande consumidor, principalmente a Alemanha, França, Itália, Reino Unido».

A procura cresce também de países como a China, índia, Emirados Árabes, que estão a aumentar muito o consumo.